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domingo, 4 de dezembro de 2011

É uma forma de paz...

"Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...
Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor."



[Clarice Lispector]

quarta-feira, 2 de março de 2011


eu só queria um colo para encostar minha cabeça e fingir que o mundo lá fora não existe.

domingo, 29 de agosto de 2010

Rifa-se um coração ♥





Rifa-se um coração tão inocente
ue se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gostaria de ter certeza das coisas que deveria fazer, das decisões que poderia tomar. Sonhava todas as noites com um Anjo vestido de branco coberto por uma luz também

branca que enchia o seu quarto de luz. Ele (o Anjo) segurava a mão dela, confortava-a. Ela ouvia o silêncio dele que lhe dizia; 
"paciência moça, paciência, tá tudo bem, tá tudo bem, vai ficar tudo bem". E ela acreditava no Anjo, ela queria acreditar, e acreditava mesmo. Com o seu coração, com suas forças e até mesmo com seu cérebro. Por que não com o cérebro?

(...)

A moça, gosta de dançar, gosta de sorrir alto, desses sorrisos que a gente precisa mover todos os músculos do rosto e mostrar a gengiva e todos os dentes da boca. Ela gosta de dançar; ela ouve música eletrônica num quarto em silêncio como quem se esforça para enxergar além das linhas azul e rosa do horizonte. Ela costuma andar solitária pelas ruas (sem esquinas) como se estivesse a procura de algo que ela mesma não sabe o que é.

Ela se suja com comidas; doces, sorvetes, chocolates, algodão doce ( o preferido!). Ela sente nojo de suor, de injustiças e crueldades e costuma desviar o olhar para o chão, como quem procura uma saída e não encontra.

Ela tem juventude fresca na pele, sonhos de criança e olhar de mulher que exala vontade e desejo.


_

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Não sou madura bastante ainda






“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Clarice Lispector