terça-feira, 13 de setembro de 2011
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, agora não, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés delas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.) E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você — seria, seriam?
Sobre o dia mais triste do mundo...
Eu chorei, implorei, te pedi pra não ir embora da minha
vida. Não seria fácil conseguir acordar sem um motivo pra enfrentar os dias. Perdida,
correria em busca de qualquer coisa que fizesse sentido. Mas você foi e me
deixou ali no quarto, fazendo com que tudo que eu acreditava se tornasse
simples ilusões. Senti-me a menor das criaturas, a mais desamparada e sozinha.
Mal sabia, que uma pessoa pudesse ter tanto poder sobre minha alegria. E você
sugou, sugou-me o último sorriso. Levou os dias felizes e me deixou com os
tristes, as inseguranças que eu havia colocado na gaveta pularam como cães
ferozes, os medos que estavam abandonados agarraram meu pescoço e eu mal podia
respirar.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Eu sei que canso.
Desculpa o excesso. De palavras, sentimento, lembranças. Eu sei que canso.
Desculpa a confusão… Ser tanto, ser tantas. Transbordo mesmo. Mas é que meu barco já veio furado. Tive que aprender a nadar em águas profundas. E fiquei assim, densa. Indo sempre ao fundo de mim, de você, dos outros.
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