terça-feira, 27 de setembro de 2011



Eu sou uma decepção. Parecia tão interessante, tão cheia de luz. E agora sou essa criança* que só quer agarrar você e proibir de brincar com os outros amiguinhos. Só meu, não empresto. 

 [Verônica H.]


Hoje meu corpo tem outras mãos espalhadas, hoje meu caminhar é um convite, hoje meu olhar é uma armadilha, hoje minha lembrança é uma tortura, hoje minha companhia é para poucos, hoje meu cheiro é um abismo, hoje meus dedos são violinos, hoje meu riso é a felicidade, hoje meu plano aceita ser surpreendido. Hoje apenas me permito a certeza do que a incerteza me impõe.
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Cáh Morandi

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Could we fix you if you broke?


Queria que alguém segurasse minha mão e me dissesse que vai ficar tudo bem, que eu não preciso me preocupar com o que vem pela frente. Mas quem vai estar lá por mim? Quem vai me abraçar e me emprestar o guarda-chuva quando a tempestade vier? Porque eu não agüento mais me sentir sozinha mesmo estando entre tanta gente. As pessoas vão e se esquecem que te deixaram aqui, esquessem as promessas feitas e deixam seu coração mesmo sem sair dele. Isso me deixa tão angustiada, tão perdida e me sinto a menor pessoa do mundo, vivendo entre julgamentos e rótulos que não são pra mim.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Escolher um caminho significava abandonar outros. Tinha uma vida inteira para viver, e sempre pensava que talvez se arrependesse, no futuro, das coisas que queria fazer agora. "Tenho medo de me comprometer", pensou consigo mesma. Queria percorrer todos os caminhos possíveis, e ia acabar não percorrendo nenhum.


(Brida, Paulo Coelho)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mas eu tenho medo de me perder e não saber voltar, tenho medo de gostar de não diferenciar a fantasia da realidade. De virar as costas pro mundo real e viver só o irreal. 

“... Ah, essa mulher - precisava sair daqui. Deste planeta que, tão freqüentemente, parece não comportar a sensibilidade.” CFA

Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, agora não, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés delas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.) E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você — seria, seriam?